Estação Ferroviária de Bananal será restaurada com recursos federal, da Lei Aldir Blanc, e estadual, do ProAC-SP
Intervenção liderada pela Kruchin Arquitetura busca preservar uma das mais importantes construções históricas de Bananal e transformá-la em espaço cultural, gastronômico e turístico
Por Ricardo Nogueira | da Redação
A histórica Estação Ferroviária de Bananal, um dos mais emblemáticos patrimônios arquitetônicos do Vale Histórico, deverá passar por um amplo processo de restauração e reabilitação, com investimento, segundo a prefeitura, estimado em cerca de R$ 2 milhões, dentro de uma articulação que envolve recursos de fomento cultural estadual e federal.
Uma das frentes é a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, operacionalizada no Estado por meio dos programas de fomento cultural.
A proposta de restauro da estação aparece oficialmente entre os projetos selecionados no Edital Fomento CultSP – PNAB nº 13/2025, tendo como proponente a Kruchin Arquitetura, Consultoria e Projetos SS e Bananal como cidade do imóvel.
O projeto também se relaciona à política estadual de preservação e valorização do patrimônio protegido pelo CONDEPHAAT.
O projeto de intervenção é liderado pela Kruchin Arquitetura, Consultoria e Projetos, especializada em restauração de patrimônio histórico. A proposta denominada “Execução de Restauro e Reabilitação da Antiga Estação Ferroviária de Bananal” foi selecionada no Edital Fomento CultSP – PNAB nº 13/2025, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O projeto recebeu nota 9,5 na seleção.
A seleção oficial representa um passo importante para a recuperação do prédio, que é tombado pelo CONDEPHAAT desde 1974 e possui características construtivas excepcionais.
De acordo com as informações técnicas apresentadas pela equipe responsável, a recuperação não se limita a uma reforma convencional.
Entre as etapas previstas estão a remoção controlada do telhamento, para reduzir o peso sobre a estrutura e permitir acesso às conexões superiores; o escoramento emergencial do esqueleto metálico; e a desmontagem parcial de placas de vedação comprometidas, permitindo a análise do sistema estrutural oculto.
Outro ponto considerado fundamental é o controle da corrosão. Serão realizados estudos e ensaios técnicos para avaliar a ferrugem encontrada nas placas de base e nos perfis estruturais.
A proposta prevê ainda a recuperação ou reposição de elementos metálicos danificados, além de procedimentos de calafetação para impedir novas infiltrações de água.
No interior do prédio estão previstas intervenções como a recuperação ou reexecução de portas e janelas de madeira, implantação de novas redes elétricas e hidráulicas e adequações para garantir acessibilidade.
Preservar a história sem descaracterizar o prédio
Por se tratar de um bem tombado, a restauração deverá respeitar as diretrizes estabelecidas pelos órgãos de preservação.
Entre os princípios apresentados para a intervenção está a preservação da autenticidade material da construção. Isso significa que elementos históricos não devem ser simplesmente substituídos por materiais modernos sem justificativa técnica.
Outro princípio é evitar a descaracterização ou mutilação do imóvel, preservando sua volumetria, cobertura e fachadas metálicas.
Também deverá ser observada a reversibilidade das novas intervenções. Instalações e reforços contemporâneos devem, sempre que tecnicamente possível, permitir futuras remoções sem comprometer a estrutura original.
Essa preocupação é particularmente relevante porque a Estação de Bananal é reconhecida como um dos raros exemplares brasileiros da arquitetura ferroviária em ferro. Estudos históricos apontam sua excepcionalidade entre os bens ferroviários tombados no Estado.
Prefeitura pretende dar nova função ao espaço
Além da recuperação física do patrimônio, a proposta busca devolver à estação uma função estratégica para Bananal.
A intenção é transformar o espaço em um centro cultural, gastronômico e turístico, integrando o patrimônio ferroviário à atividade turística e à economia local.
A iniciativa pode representar uma nova etapa na utilização de um imóvel que, ao longo de sua história, já teve diferentes funções após o encerramento das atividades ferroviárias.
A estação foi incorporada à rede ferroviária federal no século XX e o ramal ferroviário acabou sendo desativado em 1964. Posteriormente, o prédio chegou a funcionar como sede dos Correios e como rodoviária do município.
Patrimônio como vetor de desenvolvimento
Para Bananal, a restauração tem importância que vai além da recuperação de um prédio histórico.
A Estação Ferroviária integra o conjunto de elementos que ajudam a contar a história do período de expansão econômica proporcionado pelo café e da implantação da ferrovia no Vale do Paraíba.
A recuperação do imóvel poderá contribuir para ampliar a oferta de equipamentos culturais e turísticos, fortalecer o turismo histórico e criar novas possibilidades de utilização do patrimônio pela população e pelos visitantes.
Com o investimento estimado pela Prefeitura em aproximadamente R$ 2 milhões, a expectativa é que a intervenção permita recuperar a estrutura histórica, preservar suas características originais e, ao mesmo tempo, preparar o espaço para uma nova fase na história de Bananal.
A Estação Ferroviária, construída no século XIX para representar a modernidade de seu tempo, poderá voltar a ocupar um lugar de destaque na vida cultural e turística da cidade — agora como patrimônio restaurado e espaço de convivência para as próximas gerações.
Uma construção única no patrimônio ferroviário
Inaugurada no final do século XIX, a estação foi construída com estrutura metálica pré-fabricada importada da Bélgica. O edifício é formado por placas metálicas encaixadas e constitui um exemplar extremamente raro da chamada arquitetura do ferro.
O próprio Atlas de Monumentos Históricos e Artísticos do Brasil, do IPHAN, destaca a Estação Ferroviária de Bananal como uma edificação totalmente metálica e um exemplar excepcional dessa tecnologia no patrimônio ferroviário brasileiro.
Segundo informações que acompanham o projeto de restauração, o prédio de 1888 possui aproximadamente 2 mil placas de ferro encaixadas, o que exige uma intervenção especializada e cuidadosa para evitar danos à estrutura histórica.
A importância do imóvel também é reconhecida pelos estudos de tombamento do CONDEPHAAT. O processo de proteção da estação teve início no final dos anos 1960, sob o processo nº 15.465/69, sendo posteriormente oficializado o tombamento estadual.
